“BARALHO DE CARTAS PRESTES A DESMORONAR”: BANCO MUNDIAL FAZ ALERTA TERRÍVEL PARA MOÇAMBIQUE
O Banco Mundial acaba de lançar um alerta que deveria fazer soar todos os alarmes em Maputo. Num relato invulgarmente duro, publicado a 19 de março, a instituição compara a economia moçambicana a “um baralho de cartas que provavelmente mais cedo ou mais tarde se desmoronará”.
O cenário traçado é sombrio: instabilidade económica e social crescente, ameaça real aos projetos de gás natural liquefeito (GNL) e um risco de que mais de 50 mil milhões de dólares em investimento direto externo sejam arrastados na queda.
“O custo da inação está a aumentar e pode ser grave”, sublinha o Banco.
POBREZA A DISPARAR, COESÃO SOCIAL A ROMPER-SE
Os números são brutais. Entre 2015 e 2020:
· Pobreza urbana saltou de 32% para 44%
· Pobreza rural subiu de 56% para 71%
· Número total de pobres passou de 12,3 milhões (2015) para 19,9 milhões (2022)
Moçambique tornou-se, neste período, o segundo país mais pobre do mundo e um dos dez mais desiguais.
O Banco Mundial adverte ainda que a “falta de coesão social” – uma forma cautelosa de dizer distúrbios e protestos sociais – já é uma realidade, agravada pela agitação civil pós-eleições de outubro de 2024. E no norte, a situação de segurança “permanece volátil”, com novo aumento de deslocados.
GÁS NÃO VALE A PENA ESPERAR? GOVERNO CONTRADIZ-SE
Enquanto a Frelimo repete que as receitas do GNL trarão alívio em cinco anos, os próprios números do governo mostram o oposto, segundo o Banco Mundial.
As projeções oficiais apontam para um crescimento de apenas 1% a 2% entre 2026 e 2028 – abaixo do crescimento populacional. Isso significa: mais pobreza e nenhuma melhoria do nível de vida.
Pior: os gastos excessivos e o elevado nível de endividamento vão absorver a maior parte do dinheiro do gás. A perspetiva realista aponta para 15 anos até que haja uma receita significativa disponível para gastar. Até 2042, a fatia do GNL que sobra para o povo será mínima se não houver uma reviravolta na gestão pública.
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O QUE MUDA? TALVEZ NADA… A NÃO SER QUE…
O relatório foi liderado por dois jovens economistas sem ligações a Moçambique – o que lhes permitiu desafiar políticas bancárias tradicionais e dizer o que muitos evitam.
A conclusão é arrasadora: sem mudanças profundas nos gastos do governo, o país caminha para enterrar padrões de vida, quebrar a coesão social e ver o Estado incapaz de oferecer serviços essenciais.
Isto não é “chumbo” nem “derrotismo”. Isto é realismo cru. Moçambique tem todos os recursos naturais, mas continua a empobrecer o seu povo. O gás não é salvação – é uma promessa que, se não for acompanhada de menos corrupção, mais justiça fiscal e verdadeira responsabilidade, só servirá para alimentar a dívida e a elite.
Enquanto isso, 20 milhões de moçambicanos continuam na pobreza. E o baralho de cartas ameaça desmoronar-seLeia Mais

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